Texto: Apocalipse 3. 1 a 6
1- Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
2- Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
3- Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.
4- Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
5- O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
6- Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Introdução:
A história da igreja de Sardes é bastante parecidacom a história da cidade de Sardes. A glória de Sardes estava em seu passado, afirma o pastor, professor e escritor George Ladd. Sardes foi a capital da Lídia no século VII a.C. Viveu seu tempo áureo nos dias do rei Creso. Era uma das cidades mais magníficas do mundo nesse tempo. Situada no alto de uma colina, murada e fortificada, sentia-se imbatível e impenetrável. Precipícios íngremes protegiam a cidade, de modo que não podia ser escalada. Seus soldados e habitantes pensavam que jamais cairiam nas mãos dos inimigos. De fato, a cidade jamais fora derrotada por um confronto direto. Seus habitantes eram orgulhosos, arrogantes, e autoconfiantes.
Mas a cidade orgulhosa caiu nas mãos do rei Ciro da Pérsia em 529 a.C., quando este cercou a cidade por quatorze dias; e quando seus soldados estavam dormindo, ele penetrou com seus soldados por um buraco na muralha, o único lugar vulnerável, e dominou a cidade. Mais tarde, em 218 a.C., Antíoco Epifânio dominou a cidade da mesma forma. E isso por causa da autoconfiança e falta de vigilância de seus habitantes. E a igreja se sentia da mesma forma, mas Jesus lhes advertiu: "Se não estiveres alerta, virei como um ladrão" (Vers. 3).
A cidade foi reconstruída no período de Alexandre Magno e dedicada à deusa Cibele, identificada com a deusa grega Ártemis. Essa divindade padroeira era creditada com o poder especial de restaurar a vida aos mortos. E na contra mão desta crendice a igreja de Sardes estava morrendo, e só Jesus poderia dar vida aos crentes mortos.
Sardes também tornou-se famosa pelo alto grau de imoralidade que a invadiu e a decadência que a dominou. Quando João escreveu essa carta, Sardes era uma cidade rica, mas totalmente degenerada. Sua glória estava no passado, e seus habitantes entregavam-se aos encantos de uma vida de luxúria e prazer. Mas infelizmente a igreja tornou-se como a cidade. Em vez de influenciar, foi influenciada, ela perdeu completamente a sua relevância.
Creio que hoje há muitas igrejas estão da mesma forma; ao ser confrontada por aquele que anda no meio dos candelabros que é Jesus, é levada a também tomar conhecimento da necessidade de um reavivamento urgente. Portanto devemos olhar para essa carta não como uma relíquia, mas como um espelho em que vemos a nós mesmos. Para que possamos reavaliar a nossa relevância, e assim ver o que precisamos para não nos tornar Uma Igreja Irrelevante:
1- Buscar Um Reavivamento Bíblico e Santo – Vers. 1 a 4.
Quando se faz necessário o reavivamento?
Primeiro: Quando Há Crentes Que Só Têm o Nome No Rol de Membros da Igreja, mas ainda estão mortos espiritualmente, ou seja, ainda não são convertidos (Vers. 1). A igreja de Sardes vivia de aparências. As palavras de Jesus à igreja foram mais bombásticas do que o terremoto que destruiu a cidade no ano 17 d.C. A igreja tinha adquirido um nome. A fama da igreja era notável. A igreja gozava de grande reputação na cidade. Nenhuma falsa doutrina estava prosperando na comunidade. Não se ouve de balaamitas, nem dos nicolaítas, nem mesmo dos falsos ensinos de Jezabel. Aos olhos dos observadores, parecia ser uma igreja viva e dinâmica. Tudo na igreja sugeria vida e vigor, mas a igreja estava morta. Era uma espiritualidade apenas de rótulo, de aparência. A maioria de seus membros ainda não eram convertidos.
A igreja de Sardes parecia mais um cemitério espiritual, do que um jardim cheio de vida. Não nos enganemos acerca de Sardes; ela NÃO é o que o mundo chamaria de igreja morta. Talvez ela seja considerada viva mesmo pelas igrejas irmãs. Nem ela própria tinha consciência de seu estado espiritual. Mas quando Jesus examinou a igreja mais profundamente, Ele disse: "Porque NÃOtenho achado tuas obras perfeitas diante do meu Deus" (Vers. 2). J. I. Packer diz que há igrejas cujos cultos são solenes, mas são como um caixão florido, lá dentro tem um defunto. A reputação da igreja era entre as pessoas, e não diante de Deus.
Segundo: O Reavivamento é Necessário Quando Há Crentes Que Estão Na UTI Espiritual, em adiantado estado de enfermidade espiritual (Vers. 2). Na igreja, havia crentes espiritualmente em estado terminal. A maioria dos crentes apenas tinha seus nomes no rol de membros da igreja, mas Não no livro da vida. Mas havia também crentes doentes, fracos, em fase terminal. O mundanismo adoece a igreja de forma lenta, mas fatal. O pecado mata a vontade de buscar as coisas de Deus. O pecado mata os sentimentos mais elevados e petrifica o coração. No começo vêm dúvidas, medo, tristeza, depois a consciência fica cauterizada.
Terceiro: O Reavivamento é Necessário Quando Há Crentes Que, Embora Estejam em Atividade na Igreja, Levam uma Vida Sem Integridade (Vers. 2). Aqueles crentes viviam uma vida dupla. Suas obras não eram íntegras. Eles promoviam seus próprios nomes e não o de Cristo. Buscavam sua própria glória e não a de Cristo. “Honravam a Deus com os lábios, mas o coração estava longe do Senhor” (Is. 29. 13). Os cultos eram solenes, mas sem vida, vazios de sentido. A vida de seus membros estava manchada pelo pecado.
Ostentavam aparência de piedade, mas negavam Seu poder (II Tm. 3. 5 - tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.). Isso é formalidade sem poder, reputação sem realidade, aparência externa sem integridade interna, demonstração sem vida.
Deus quer obediência, a verdade no íntimo. Em Sardes, os crentes estavam falsamente satisfeitos e confiantes; eram, de forma falsa, ativos, devotos e fiéis.
Quarto: O Reavivamento é Necessário Quando Há Crentes se Contaminando Abertamente Com o Mundanismo (Vers. 4). A causa da morte da igreja de Sardes não era a perseguição, nem a heresia, mas o mundanismo. O pecado tinha se infiltrado na igreja. Por baixo da aparência piedosa daquela respeitável congregação havia impureza escondida na vida de seus membros. O mundo estava entrando na igreja. A igreja estava se tornando amiga do mundo, amando o mundo e se conformando com ele. Os crentes não tinham coragem de ser diferentes, a sua significância era apenas na aparência e não na espiritualidade. Tiago advertiu sobre essa questão de crente e igreja “amigos” do mundo: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”. Tg. 4. 4.
2- Fundamentar Nas Bases Bíblicas Para o Reavivamento – Vers. 2 a 4
Jesus aponta três Bases fundamentais para o reavivamento da igreja:
Primeiro: Uma Volta Urgente à Palavra de Deus(Vers. 3). O que é que eles ouviram e deviam se lembrar, guardar e se voltar para isso? A Palavra de Deus! A igreja tinha se apartado da pureza da Palavra. O reavivamento é resultado dessa lembrança dos tempos do primeiro amor e dessa volta à Palavra.
Quando uma igreja experimenta um reavivamento, ela passa a ter fome da Palavra. O primeiro sinal do reavivamento é a volta do povo de Deus à Palavra. Os crentes passam a ter fome de Deus e de Sua Palavra. Começam a se dedicar ao estudo das Escrituras. Abandonam o descaso e a negligência com a Palavra. A Palavra torna-se doce como o mel. As antigas veredas se fazem novas e atraentes. A Palavra torna-se viva, deleitosa e transformadora.
O verdadeiro avivamento é fundamentado na Palavra, orientado e limitado pela Palavra. Ela tem na Bíblia sua base, sua fonte, sua motivação, seu limite e seus propósitos. Avivamento não pode ser confundido com liturgia animada, com culto festivo, inovações litúrgicas, obras abundantes, dons carismáticos, milagres extraordinários. O reavivamento é Bíblico ou não vem de Deus.
Segundo: Uma Volta à Vigilância Espiritual (Vers. 2). Sardes caiu porque não vigiou. A cidade de Sardes era uma acrópole invencível que nunca fora conquistada em ataque direto; mas, duas vezes na história da cidade, ela foi tomada de surpresa por falta de vigilância da parte dos defensores. Jesus alerta a igreja que se ela não vigiar, se ela não acordar, Ele virá a ela como o ladrão que chega à noite, inesperadamente. Alguns membros da igreja em Sardes estavam sonolentos, e não mortos. E Jesus os exorta a se levantarem desse sono letárgico (Ef. 5. 14 “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.”). Há crentes que estão dormindo espiritualmente. São acomodados, indiferentes às coisas de Deus. Não têm apetite espiritual. Não vibram com as coisas celestiais. Mas há uma minoria ativa pode chamar de volta a maioria da morte espiritual. Um remanescente robusto pode fortalecer o que resta e que estava para morrer(Vers. 4). Pois muitos crentes NÃO estão sendo mortos pela espada do mundo, mas pela Amizade com o mundo. A igreja de Sardes não era uma igreja herética e apóstata. Não havia heresias nem falsos mestres na igreja. Ela era ortodoxa, mas estava morta.
Terceiro: Uma Volta à Santidade (Vers. 4). Havia uma falta de sensibilidade espiritual em Sardes, masnão tinha atingido a todos. Ainda havia algumas poucas pessoas que permaneciam fiéis a Cristo. Embora a igreja estivesse cheia, havia apenas uns poucos que eram Verdadeiros crentes e que não haviam se contaminado com o mundo.
3- Buscar o Reavivamento Naquele Que O Pode Promover – Vers. 1 e 5.
Mas quem é que pode promover o reavivamento?
Jesus, só Ele pode trazer reavivamento para igreja, e por três razões:
Primeiro: Porque Jesus Conhece a Realidade da igreja (vers. 1). Jesus conhece as obras da igreja. Ele conhece nossa vida, nosso passado, nossos atos, nossas motivações. Seus olhos são como chama de fogo. Ele vê tudo e a tudo sonda.
Jesus vê que a Igreja de Esmirna é pobre, mas, aos olhos de Deus, é rica. Ele vê que, na Igreja apóstata de Tiatira, havia um remanescente fiel. Ele vê que a Igreja que tem uma grande reputação de ser viva e avivada, como Sardes, está morta. Ele vê que uma Igreja que tem pouca força, como Filadélfia, tem diante de si uma porta aberta. Ele vê que uma Igreja que se considera rica e abastada, como Laodicéia, não passa de uma Igreja pobre e miserável. Jesus sabe quem somos, como estamos e do que Realmenteprecisamos.
Segundo: Jesus Pode Trazer Reavivamento Para a Igreja, Porque Ele é o Dono da Igreja (Vers. 1). Ele tem as sete estrelas. As estrelas são os anjos das sete igrejas. Elas representam as próprias igrejas. As estrelas estão nas mãos de Jesus. A Igreja pertence a Jesus. Ele controla a Igreja. Ele tem autoridade e poder para restaurar Sua Igreja. Disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra sua Igreja (Mt. 16. 18). Pode levantar a Igreja das cinzas. Tem tudo em Suas mãos. Cristo é o dono da Igreja. Tem cuidado da Igreja. Ele a exorta, a consola, a cura e a restaura.
Terceiro: Jesus é Quem Reaviva a Igreja Por Meio de Seu Espírito Santo (Vers. 1). Jesus tem e oferece a plenitude do Espírito Santo à Igreja. O problema da Igreja de Sardes era morte espiritual; Cristo é o que tem o Espírito Santo, o único que pode dar vida. Uma Igreja morta, enferma e sonolenta precisa ser reavivada pelo Espírito Santo. Só o Espírito Santo pode dar vida e restaurar a vida.
É pelo poder do Espírito Santo que a Igreja se levanta da morte, do sono e do mundanismo para servir a Deus com entusiasmo. Jesus é quem envia o Espírito à Igreja para reavivá-la. O Espírito Santo é o Espírito de vida para uma Igreja morta. Quando Ele sopra, a Igreja morta e moribunda levanta-se. Quando Ele sopra nossa adoração formal, ela passa a ter vida exuberante. Quando Ele sopra os crentes, eles têm deleite na oração. Quando Ele sopra os crentes, eles são tomados por uma alegria indizível (sem explicação). Quando Ele sopra os crentes testemunham de Cristo com poder e autoridade. Que sejamos crentes cheios do Espírito de Cristo. Uma coisa é possuir o Espírito, outra é ser possuído por Ele. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio do Espírito. Uma coisa é ter o Espírito residente, outra é ter o Espírito presidente tendo o domínio sobre nossa vida.
Considerações Finais:
Amados irmãos para terminar temos que fazer uma pergunta: Quais as Bênçãos Que o ReavivamentoTrás Na vida da Igreja e Torná-la Relevante? Digo sem medo e errar que é A Santidade, agora, pois é garantia de glória no futuro (Vers. 5). A maioria dos crentes de Sardes tinha contaminado suas vestiduras, isto é, eles tornaram-se impuros pelo pecado. O vencedor receberia vestes brancas, símbolo de festa, pureza, felicidade e vitória. Não se enganem, pois: Sem Santidade, não há Salvação. Sem Santificação, ninguém verá a Deus. Sem vida com Deus aqui, não haverá vida com Deus no Céu. Sem Santidade na terra, não há Glória no Céu.
Quem não se envergonha de Cristo agora, terá seu nome proclamado no céu por Cristo (Vers. 5). Aqueles que estão mortos espiritualmente e negam a Cristo nesta vida não têm seus nomes escritos no livro da vida. Mas aqueles que confessam a Cristo, e Não se envergonham de Seu nome, terão seus nomes confirmados no livro da vida e seus nomes confessados por Cristo diante do Pai. Os crentes fiéis confessam e são confessados.
Seu nome pode constar no rol membros de uma igreja sem estar no Livro da Vida de Deus. Ter apenas a reputação de estar vivo não é insuficiente. Mas o que Realmente Importa é o que Nosso Nome Esteja no Livro da Vida Afim de que Seja Proclamado por Cristo no Céu (Mt. 10. 32).
E SÓ ASSIM UMA IGREJA DEIXA DE SER IRRELEVANTE PARA SE TORNAR UMA IGREJARELEVANTE E CUMPRIDORA DA MISSÃO ESTABELECIDA POR DEUS.
Então amada Igreja cabe a cada um de nós escolher que Igreja queremos ser, se aquela que receberá de Cristo “VINDE BEM DITOS DE MEU PAI”, ou “Nunca vos conheci”, não se engane, pois a igreja Irrelevante ouvirá em alto e bom som: “Nunca vos conheci”, mas a Igreja Relevante ouvirá e com um maravilhoso coral de anjos cantando e da boca de Jesus: “VINDE BEM DITOS DE MEU PAI”. Que Deus os abençoe nos faça uma Igreja Relevante. Amém.