sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Tema: Enrubescido
Texto: Daniel 9. 7a e Esdras 9. 6a
- “A Ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha”.
- “… Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a Ti a minha face…”
Introdução:
Estamos vivendo dias escuros e sombrios: os perigos nos rondam por todos os lados, inseguranças e incertezas nos apavoram; a sociedade pós-moderna, com sua imprevisibilidade, nos espanta; o governo e sua indiferença nos causa pavor; muitos cristãos estão naufragando num caos espiritual e teológico, nos deixando quase sem esperança. Entretanto a vida continua, devemos em detrimento a tudo isso, continuar firmes “olhando para o autor e consumador da fé” (Hb. 12. 2).
Também não há dúvida que vivemos em uma época onde o discurso do “não me arrependo de nada” é bastante usado. Recentemente um líder religioso, já idoso e muito conhecido, usou essa expressão em uma entrevista na CBN, dizendo: “Somos tolerantes demais para o corar de vergonha. O máximo que chegamos é uma passageira insatisfação”.
É a espiritualidade do enrubescer de vergonha que não nos permite alegrar com a corrupção, conviver com a maldade e injustiça ou achar normal a promiscuidade. Muitas vezes é a vergonha nos impõe limites! A vergonha nos faz enxergar nossos erros, as dificuldades muitas vezes nos leva ao arrependimento.
O enrubescer de vergonha é uma característica que se perde nessa sociedade egoísta e individualista em que vivemos. Mundo de “deuses” autônomos, que não querem enxergar seus defeitos e muito menos se arrepender para uma nova vida. Há quanto tempo você não enrubesce, não cora de vergonha?
Portanto eu creio ser urgente e oportuno falar de algo que está latente no meu coração e também de muitos crentes: apesar de cristãos, não estamos imunes aos combates e intempéries da vida, que trazem aflições, dores e apertos no coração, que vão de problemas no casamento a crises financeiras e ministeriais, bem como tantas outras áreas, nos deixando perturbados.
Mesmo diante desse quadro, hoje quero falar sobre um assunto que talvez não seja muito agradável e nem comentado, mas que a maioria de nós vivencia; quero falar para aqueles que “estão em falta com Deus”, que estão aflitos e com o coração apertado por causa de Deus, me dirijo àqueles que estão com vergonha de Deus! Pois, é exatamente isso que Esdras enfaticamente retrata no versículo lido “… Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a minha face…”. Diante disse aprendemos que:
1- A Negligencia Nos Afasta Do Propósito de Deus - Esdras 9. 6ª.
“… Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a Ti a minha face…”.
Não há dúvidas de que é urgente e oportuno falar de algo que está latente no coração de muitos. Veja que a declaração de Esdras foi feita após o exílio babilônico. Os judeus haviam retornado a Israel depois de décadas de cativeiro na Babilônia. O objetivo deles era a reconstrução do Templo bem como dos muros da cidade sob a égide de Esdras e Neemias. Eles deveriam também restaurar o sacerdócio, o culto ao Senhor e a observância da Lei, trazendo assim paz e harmonia à nação.
Porém, não foi bem isso que aconteceu: eles estavam negligenciando todos esses afazeres, desprezando a Lei, retardando a reconstrução do Templo, promovendo casamentos mistos (com mulheres não judias), enfim, estavam andando em total desacordo com a vontade de Deus, ignorando assim o próprio Deus!
É nesse cenário caótico que aparece Esdras, um dos seus líderes, que apesar de não participar diretamente desses pecados, fazia parte dessa nação, eram seus familiares, por isso Esdras se pronuncia, diante de Deus e em oração representando o seu povo e a si próprio dizendo: “Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a minha face”… Por causa daquelas inúmeras transgressões, que o seu povo havia cometido, Esdras estava profundamente envergonhado e não conseguia nem levantar a cabeça diante de Deus!
2- O Fardo de Estar Em Falta com Deus – Esdras 9. 7
Eu creio que o maior fardo que um homem pode ter no coração, a maior angústia da alma, o terrível dilema da mente: “estar em falta com Deus”!
Acredito sinceramente que muitos de nós estamos vivendo essa realidade: quantos erros temos cometido? Quantas faltas, pecados, rebeldias, desleixo e omissão nas coisas de Deus e para com o próprio Deus temos cometido? O que nos leva a uma profunda vergonha. Por tudo isso nos tornamos como Esdras, são tantas decepções que damos a Deus, que não conseguimos levantar o próprio rosto para os céus.
Assim como um filho que sempre dá desgosto para o seu pai, tirando notas baixas na escola, desobedecendo à ordens simples, desonrando-o em público e não respeitando o investimento que o pai faz. Assim nós temos feito com o nosso Deus e Pai, e como dói e constrange saber isso. Esse era o sentimento de Esdras ao ver aquela situação e o caos que se tornou Israel.
Assim como Davi que após reconhecer seu pecado compõe o Salmo 51. E nos versos de 10 a 13 diz: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável. Não me lances fora da Tua presença, e não retire de mim o Teu santo Espírito. Restitui-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e pecadores se converterão a Ti”.
3- A Indiferença Espiritual – Mt. 24. 12 Ap. 3. 15 e 16
Veja irmãos, a mesma coisa está acontecendo conosco! No que estamos nos tornando? Por quais caminhos temos andado? Estamos deixando nosso primeiro amor, o zelo pela casa de Deus, a santidade e o temor a Deus. A preguiça tem sido nossa marca, vivemos num tempo de indiferença espiritual, frieza e descaso para com a santa Palavra de Deus! Por causa disso tudo, quando chega a hora da oração, o momento da comunhão com Deus e de estar a sós com Ele, o enrubescer, o corar do rosto é o que ocorre, pois inevitavelmente diante Dele ficamos envergonhados pelo que estamos fazendo! Como dói olhar para trás e ver o rastro desastroso que estamos deixando e concluirmos que temos sido filhos desgostosos ao nosso Pai!
Veja o quanto Deus investiu em nós, do que estamos nos queixando? O que nós temos a dizer a Deus, a não ser expressar nossa eterna gratidão? O simples fato, se é que posso chamar de simples, de ter nos salvado, não é suficiente? Cobriu-nos com sua Graça e Misericórdia, nos abençoou com tantas bênçãos celestes, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;”. Ef. 1. 3. E assim nos concedeu a dádiva de pregar o seu santo Evangelho, nos amou com eterno amor, nos chamou de filhos, depositando em nós tamanha confiança! “O amor de Cristo nos constrange” II Co. 5. 14; É por isso que devemos ficar com vergonha.
4- Exemplos de Vergonha
O rei Davi, quando foi repreendido pelo profeta Natan. Sabemos o Quanto Deus fez por Davi? Quanto demonstrou amor, graça e misericórdia, e Davi, retribuiu com tanta lambança! Atente no estado que Davi estava quando escreveu o Salmo 51: ele estava profundamente envergonhado pelo que fizera com Deus. Veja o que diz os versos de 10 a 12: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável. Não me lances fora da Tua presença, e não retire de mim o Teu santo Espírito. Restitui-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.
Sansão: Foi coberto de poder e confiança ao ser levado ao ofício de juiz, com poderes nunca vistos até hoje, mas veja o que Sansão fez, os delitos hediondos que cometeu! Lá estava Sansão na cela dos filisteus, cego, preso, sem forças e com muita, muita vergonha de Deus, mas assim orou: “Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor Deus! lembra-te de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que duma só vez me vingue dos filisteus pelos meus dois olhos”. Jz. 16. 28.
Pedro: Um dos discípulos mais próximos de Jesus, ele tinha intimidade, foi tratado com tanto carinho, respeito e zelo por seu Mestre, tanto que foi-lhe conferido um grande chamado, mas o que ele fez? Negou o seu Senhor três vezes! Depois a Bíblia diz que ele chorou amargamente. Aquele era o choro da vergonha por ter decepcionado tanto o seu Senhor. “Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente”. Lc. 22. 61 e 62.
Acredito também que assim como esses homens citados, temos trazido muita tristeza ao coração de Deus! Nós sabemos que Deus é perfeito e eterno, mas bem no fundo, pelo bom senso que possuímos, temos que reconhecer que: “Deus não merece isso que estamos fazendo, que desgosto estamos dando a Ele, que tolo e estúpido temos sido. Meu Deus! Quanta falha. Tenho vergonha de dirigir minhas palavras ao Senhor, tenho vergonha de fazer qualquer oração diante da Sua santidade, não consigo nem levantar minha cabeça, tem misericórdia de mim”!
Na verdade, o que estou tentando lhe dizer amados irmãos, é que nós temos feito como o filho pródigo: passamos uma fase da vida sem dar contas do lamaçal que estamos envolvidos, passando muitos dias, meses e até anos, convivendo nesse estado precário, sem nos darmos conta do mesmo, mas, de súbito, somos tomados por um choque de realidade: onde estou? O que estou fazendo? Aonde isso vai parar? Então, um profundo pesar vem ao nosso coração! E assim como Daniel devemos também reconhecer e dizer: “A Ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha”. Daniel 9. 7a
Considerações Finais:
Tenho convicção que o remédio para tudo isso é o arrependimento sincero e recorrermos a Deus em oração e confissão! “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” I Jo. 1. 9.
Por isso quero terminar esta palavra te convidando para fazer a seguinte oração comigo: “Senhor Deus perdoe-nos por fazer tanto contra o Senhor, nos perdoe no mais profundo do nosso coração. Não é nossa causa que está em jogo e sim a Sua, não é o nosso nome, o nosso reino, a nossa reputação, e sim os Sua! Quanta omissão da nossa parte, quantos crimes feitos contra o Senhor, quanto desleixo!
Senhor, estamos quebrantados, consternados, arrependidos, nos perdoe segundo a Sua Graça e as Suas misericórdias e, se os teus servos tem achado graça aos Seus olhos, nos dê mais uma chance, mais uma oportunidade de te honrar novamente. Nos dê também os recursos necessários para que isso aconteça, renove as nossas forcas, nossa esperança, nossa fé, levante nossa cabeça porque nem isso conseguimos fazer… Para que assim honremos o Seu precioso Nome e não venhamos mais depreciá-Lo; e que possamos Enrubescer de vergonha pelos nossos pecados.
Não tire ó Deus a nossa vergonha quando pecamos, para que de novo tenhamos a alegria da sua salvação, que nós venhamos a Enrubescer de alegria da Tua Augusta presença, e não por nos acostumar ou aceitar pacificamente no pecado; em nome do teu Filho Jesus, te peço todas essas coisas”. Que Deus nos abençoe hoje e sempre; Amém!